Just in Time

nem inimigo, nada!

Publicado por: beforeesunsett em: fevereiro 8, 2010

“Não, não te quero mais
Agora eu que decido
Aonde eu vou
Não, não, não suporto mais
Prefiro andar sozinha
Como sou…

Andar de madrugada
Feito traça
Feito barata
Feito cupim
Dizer prá mim
Que eu gosto mais de mim
Que eu sou assim
E não tem jeito…

Vai sair da minha vida
Você vai ter que mudar
Da minha casa
De atitude
Chega!
Ainda mais agora
Que eu vou viajar
Prá me livrar de você
Não quero mais ser seu amigo
Nem inimigo
Nada!

Prá você é o fim da estrada
Com você fechei a tampa
Da minha casa
Dos meus amigos
Chega!
Ainda mais agora
Que eu “vou viajei”
E me livrei de você
Não quero mais ser seu amigo
Nem inimigo
Nada!…”

- Mart’nália – Chega

 

Não consigo parar de ouvir!!!
http://www.youtube.com/watch?v=vxzOnsxbckI

Seu Sorriso Derretia Satélites

Publicado por: beforeesunsett em: fevereiro 4, 2010

Desta janela encoberta de neblina
Avisto seus brilhos solares atravessando a rua
Escondendo das lentes ofuscantes do sucesso
Seus passos decididos partiam em rotas inexistentes

Por um segundo, senti o bater ritmado do seu coração parar.
Como se o mundo parasse, se o ar faltasse.
Instantaneamente o universo retrocedeu duas décadas de evolução
Depois acelerou tão ferozmente que estrelas colidiram
Escuridão silenciosa fez em seu breve penar

Deste labirinto tortuoso que descrevo meus dias de exílio.
Observo, assustado, o correr natural de seus dias simples.
Como a um terremoto seus passos chocam com astros distraídos.
Destruindo o pouco de paz existente nos cosmos
Volte!

Por um breve instante, minha vida misturou-se com a sua.
Meus tristes relatos, observados com minhas vistas cansadas de esperar
a paz roubada, no instante que colidiu sua rota em meus dias cinzas
Os deuses festejaram a descoberta de uma constelação.

Deste quadro abstrato que minhas retinas incansavelmente entorpecem
Procuro vestígios palpáveis para reencontrar seus braços
Eu, vagando entre o real e o imaginário, suspiro a cada sonho.
Contrabandeando sorrisos puros a cristalizar nostalgicamente a vida

Desta caverna sombria a qual observo tudo contra a luz
Vejo-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e bela.
Ignorando as luzes ofuscantes, vejo apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derretia satélites e corações gelados.

- Caio Fernando Abreu

sim

Publicado por: beforeesunsett em: fevereiro 2, 2010

“sim, desde que eu te vi
eu te quis
eu quis te raptar
eu fiz um altar
pra te receber”

- Nando Reis

medo alegre

Publicado por: beforeesunsett em: janeiro 26, 2010

Sinto a falta dele como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre, o de te esperar.

- Clarice Lispector

Regra três

Publicado por: beforeesunsett em: janeiro 11, 2010

Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais

Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar

Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar

- Vinícius de Moraes

Nua e crua

Publicado por: beforeesunsett em: janeiro 7, 2010

Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no até que a morte nos separe e também no eterno enquanto dure. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando, porque isso seria incompetência minha.

Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.

 - Brena Braz

Carta-desabafo-padrão

Publicado por: beforeesunsett em: dezembro 16, 2009

Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente. E dessa vez falo sério.

Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune.

A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia, o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.

Fico pensando como chegamos a esse ponto. Como nos permitimos deixar nosso amor acabar nesse estado, vendido e desconfiado. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Não quero mais nada que exista no mundo por sua interferência. Não quero mais rastros de você no meu banheiro.

Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois – essa é a minha parte no negócio? Sinceramente, abro mão.

Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas.

 Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos.

 Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana.

Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias.

 Bom, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Mentira. Não espero nenhum efeito desta carta, em você, porque, aí, veria-me torcendo pela sua morte. Por remorso. E como já disse, e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você.

Se, agora, isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.

Adeus, graças a Deus.

- Fernanda Young

Fim.

Publicado por: beforeesunsett em: dezembro 14, 2009

Quando o amor acaba? Em qual momento, segundo, em qual dos beijos a gente já não era mais a gente? Entre qual filme eu deixei de gostar de você? Será que foi no momento em que o microondas apitou dizendo que a pipoca estava pronta? Será que aquela linha na escova de dentes marcando a hora de trocar foi quem ditou o nosso fim? Se apenas eu soubesse quando isso aconteceu. O que fez de nós dois estranhos, dois mortos que jantam? A gente presta atenção na conversa da mesa ao lado. Nossos beijos são burocráticos, nosso sorriso é carimbado por uma impressão de fim. Somos o casal da pizzaria de domingo, que senta um ao lado do outro com dois copos de chopp intocados. Eu tomo banho de porta fechada, você não me pede mais livros emprestados. Sua mania de morder os lábios agora me irrita. Você olha para mim do mesmo jeito que olha a cortadora de frios na padaria. Nossos planos de futuro soam como bobagens adolescentes. Eu não levanto mais cedo que você só para escovar os dentes e dar o primeiro beijo fresco da manhã.  E acho que ultimamente meu jornaleiro me conhece mais. Eu não vejo mais graça no que você fala, você não lê mais o que eu escrevo. Assim como um texto, de uma linha para outra, simplesmente acabou.

- Ana Reber

Não que eu seja cinematográfico

Publicado por: beforeesunsett em: dezembro 8, 2009

Não que eu despreze você. Se eu pensasse em você, eu desprezaria.
Como disse Humphrey Bogart em Casablanca.
Não que eu queira lembrar ou esteja preso a algum passado.
Eu apenas apaguei você, como Jim Carrey em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.
Não que, mesmo esquecendo, eu ignore que você exista.
Eu apenas vi o seu rosto deformado, como Penélope Cruz viu o de Tom Cruise em Vanilla Sky (e você também viu o meu) e disse: – Na outra vida, quando formos gatos – preferindo deixar para uma outra ocasião. Ou encarnação.
Não que eu me orgulhe de ser assim. Eu apenas sou. E eu sei quem eu sou.
Como disse Mickey Rourke em Coração Satânico.
Não que você possa esperar só o pior de mim.
Mas é que eu adoro cheiro de napalm ao amanhecer.
Como disse Robert Duvall em Apocalypse Now.
A grande questão é que a vida não é uma série, com continuação na semana seguinte. A
grande questão é que a vida é mais como um filme. Começa pelos trailers termina nos
créditos. As luzes se acendem. E, finalmente, quando todos vão embora, o faxineiro
varre tudo, apaga as lâmpadas e tranca tudo.
Quando olhamos para trás, ao final, parece que foram apenas duas horas. Três, no máximo.
E the end.

- Alessandro Martins

Vai passar

Publicado por: beforeesunsett em: novembro 23, 2009

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez.

- Caio Fernando Abreu