Preguiça de Sofrer

Novembro 6, 2009 at 4:55 pm (Sem-categoria)

Nossa, como sofrer é complicado!!!

Sofrer exige determinação e vigor para polir os ressentimentos, as mágoas, os desaforos. É preciso acordar pela manhã e reafirmar: Hoje eu vou continuar presa as mesmas tristezas, as mesmas desconfianças, as mesmas cobranças, aos mesmos pensamentos mórbidos e aos mesmos sintomas de insatisfação. Eu poderia acordar e simplesmente tomar aquela dose diária de veneno e percorrer o círculo vicioso da depressão e da impotência, deixar as mágoas e os ressentimentos novinhos em folha. Mas para que?

Sofrer dispersar energia, afasta o novo, fecha as janelas, queima pontes, constrói torres blindadas onde eu vou viver confortavelmente só e triste. Rejeitar mudanças, companhias alegres, convites divertidos faz parte dessa profissão de sofrer, mas não fazem parte da minha vida!!!

Sofrer pede atitude. É é preciso muita personalidade para trazer sempre consigo uma nuvem preta sobre a cabeça, um olhar sisudo e uma inapetência para tudo que seja alegre, descompromissado e espontâneo. Para sofrer de verdade é necessário ter a memória afiada, trazer na ponta da língua histórias tristes, o rol das traições, a lista dos desafetos, a ladainha das frustrações. Ter a competência de narrar com absoluta fidelidade os mesmos diálogos ferinos.

Para sofrer é preciso ter vocação!!! Olho pela janela e vejo como o dia está lindo. O sol me chama para ser feliz. Deus fez tudo isso! O sol, o céu, o ar. Me deu saúde, paz, uma família linda e  amigos que valem ouro!! E quer saber? Tenho muita preguiça de sofrer. Me desculpem!

 

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Altar Particular

Novembro 5, 2009 at 6:46 pm (Sem-categoria)

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser.

- Maria Gadú

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Desisti

Outubro 29, 2009 at 12:45 pm (Sem-categoria)

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. (…) Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês, mas o tempo todo penso “I don’t care”. Caguei. Foda-se. (…) Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Algo entre uma santa e uma pilantra. Desde que no controle e irritada. Agora, não quero mais nada. De verdade. (…) Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. (…) Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Mas tudo meio que por osmose. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir e cagar pra ele. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. O trator da felicidade. Atropelei o mundo e eu mesma. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e… quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.

- Tati Bernardi (sabe demais!!)

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Aprendendo

Outubro 13, 2009 at 7:49 pm (Sem-categoria)

pordosol7

 

“Tô voltando pro meu recanto
Lá é bem melhor
Não, não sei quem vai estar me esperando
Eu nunca vou estar só

Ahh, tô aprendendo a viver sem você
Ahh, tô aprendendo e não quero aprender.”

 

- Detonautas

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Quando já não se acredita em mais nada

Outubro 9, 2009 at 6:37 pm (Caio F. Abreu)

“Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia.”

- Caio F. Abreu

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Mudada!

Setembro 23, 2009 at 7:35 pm (Sem-categoria)

Ontem MUDEI.
Sabe a sensação de mudar um pouco de você? Um pouco daquilo que cisma em não mudar?
Mudei.
E mudei os móveis da casa também.
Mudei a maneira que sempre te levo na porta e a maneira que te peço apaixonada pra voltar.
Mudei por mim e daí vem a plenitude de ser MUDADA.
Sentiu a diferença, né? Percebeu que meu carinho e minha dedicação são escolhas que eu faço e não minha maneira sufocante de te querer.

- Caroline Figueiredo

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Pra me conquistar

Setembro 23, 2009 at 2:58 pm (Sem-categoria)

pra me conquistar
basta dizer tudo aquilo
que nunca ouvi de ninguém
vestir como homem e não como gay
me tocar sem medo, sem segredo
entrar e sair da rotina sem que eu note
me levar para lugares exóticos
e lugares comuns
saber ficar em silêncio e assim me dizer tudo
gostar de rock como eu gosto
e de coisas que eu não gosto
compreender a vida como é
e buscar o outro lado
saber a hora exata de ficar
e ir embora
mas não vá

- Martha Medeiros

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Planos

Setembro 8, 2009 at 6:06 pm (Sem-categoria)

Minha vida não saiu como planejei, mas ainda é a minha vida.

- Fabrício Carpinejar

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Saigon

Agosto 3, 2009 at 7:17 pm (Música, amor)

“Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento, um pedaço de Saigon
Me disse adeus no espelho com batom

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade como um céu de luz neon

Seu brilho silencia todo som
Às vezes você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre eu penso em te deixar
E é só você chegar pra eu me esquecer de mim

Anoiteceu
Olho pro céu e vejo como é bom
Ver as estrelas na escuridão.
Espero você voltar pra Saigon.”

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A Insustentável leveza do ser

Julho 6, 2009 at 7:57 pm (Sem-categoria)

Ele a estreitou contra si e levemente ela adormeceu em seus braços. Nos braços dele, mesmo no auge da agitação, sempre se acalmava. Ele contava a meia voz bobagens para ela, palavras tranqüilizadoras ou engraçadas que repetia num tom monótono.
Quando dormiam, ela o segurava como na primeira noite: apertava-lhe firme o pulso, um dos dedos, ou o tornozelo.
Tomas dizia consigo mesmo: deitar-se com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não apenas diferentes, mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma multidão inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (esse desejo diz respeito a uma só mulher).

Milan Kundera

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