Just in Time

Archive for novembro 2009

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez.

– Caio Fernando Abreu

Nossa, como sofrer é complicado!!!

Sofrer exige determinação e vigor para polir as mágoas. É preciso acordar pela manhã e reafirmar: Hoje eu vou continuar presa as mesmas tristezas, as mesmas desconfianças, as mesmas cobranças, aos mesmos pensamentos e aos mesmos sintomas de insatisfação. Eu poderia acordar e simplesmente tomar aquela dose diária de veneno e deixar as mágoas e os ressentimentos novinhos em folha. Mas para que?

Sofrer dispersar energia, afasta o novo, fecha as janelas, queima pontes, constrói torres blindadas onde eu vou viver confortavelmente só e triste. Rejeitar mudanças faz parte dessa profissão de sofrer, mas não faz parte da minha vida!!!

Sofrer pede atitude. E é preciso muita personalidade para trazer sempre consigo uma nuvem preta sobre a cabeça, um olhar sisudo e uma inapetência para tudo que seja alegre, descompromissado e espontâneo. Para sofrer de verdade é necessário ter a memória afiada, trazer na ponta da língua histórias tristes, o rol das traições, a lista dos desafetos, a ladainha das frustrações. Ter a competência de narrar com absoluta fidelidade os mesmos diálogos ferinos.

Para sofrer é preciso ter muita vocação… E eu só consigo olhar pela janela e ver como o dia está lindo. O sol ta me chamando para ser feliz. Deus fez tudo isso!

 E quer saber? Tenho muita preguiça de sofrer. Me desculpem!

“Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser.”

– Maria Gadú