Just in Time

Archive for novembro 2008

A linguagem é condicionada pela realidade.
Os esquimós têm umas sete ou oito palavras diferentes para designar a neve de acordo com suas características. O que para nós, não-esquimós, é apenas uma monótona vastidão branca, para eles é diversidade, uma variedade que sabem identificar, classificar, nomear e detalhar.
No entanto, conhecem pouco as árvores e, por isso, chamarão uma figueira, um eucalipto e um carvalho apenas de árvore, sem talvez perceber que há uma diferença entre elas, assim como nós em relação às diferentes neves, cujas particularidades são tão evidentes para eles.
Os esquimós estão em um mundo de neve, cercados por neve, convivendo com a neve e, por isso, a conhecem em sua diversidade. Nós não chegamos a estar cercados de árvores, mas conhecemos também suas diferenças.
Nós, esquimós e não-esquimós, no entanto, chamamos muitas coisas diferentes por um único nome: amor.
Possivelmente, em nosso convívio não haja tanto amor quanto neve no Alasca. E talvez por isso não tenhamos nomes diferentes no nosso cotidiano para cada uma de suas inúmeras possibilidades.
Quem sabe, sequer exista tanto amor quanto árvores nas grandes cidades. E há tão poucas árvores por aí.
Talvez eu veja neve. Mas na verdade é sal.

 – Alessandro Martins

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Não tenho nada que me prove a existência de Deus e, mesmo assim, Ele continua sendo o absoluto dos meus dias. Nunca choveu maná no quintal da minha casa e a imagem que tenho da Virgem Maria nunca derramou uma
lágrima. O que tenho aqui é esta mão machucada, este dedo sangrando, este nó na garganta, este humano desconsolo, esta dor, esta cor e este olhar desconcertante de Deus, deixando-me sem jeito ao dizer que me ama..

– Pe. Fábio de Melo

A mais nobre ação de uma mulher amorosa está em perceber o que interessa a seu homem e ajustar-se a isso. É um ato em que a mulher se dá, e ao mesmo tempo ganha com isso. Ganha um amante ardoroso, reconhecido, pouco disposto a investir em outras mulheres. A fêmea que finge escravizar-se a seu macho conquista, na verdade, um escravo. Foi assim que Cleópatra arrebatou César e Marco Antônio. Foi assim que Helena de Tróia derrubou Páris e Menelau.

“Um olhar, uma luz ou um par de pérolas
Mesmo sendo azuis sou teu e te devo
Por essa riqueza
Uma boca que eu sei
Não porque me fala lindo
E sim, beija bem
Tudo é viável pra quem faz com prazer
Sedução, frenesi
Sinto você assim, sensual, árvore
Espécie escolhida, pra ser a mão do ouro
O outono traduzir viver o esplendor em si…
Tua pele um bourbon me aquece como eu quero
Sweet home gostar é atual, além de ser tão bom…”

– Djavan

Hoje eu pensei em falar sobre várias coisas,
Sobre o que ta acontecendo na minha vida,
Sobre o artigo que eu vi no jornal,
Sobre o que aconteceu com o meu vizinho,
Sobre o acidente que teve ali na esquina,
Sobre tudo o q passou pela minha cabeça,
Eu ia deixar de lado o que se passa por mim e continua em mim,
Ia deixar pra la o fato de ter acordado muito atrasada hoje,
De ter perdido a hora,
De ter perdido um muito do pouco que sempre quis,
Mas eu resolvi nao dizer nada.
Que é pra voce pensar que tudo continua igual,
O céu ainda ta no mesmo lugar,o meu jeito de andar ainda é o mesmo.
O ano que a gente ta nem mudou.
Ta tudo na mesma,
Só eu que mudei.