Just in Time

Archive for abril 2008

É tudo sobre escolhas.

Eu escolhi você. Escolhi arriscar por que me sinto bem ao seu lado e mesmo fingindo que não, você nunca deixou de fazer algum tipo de barulho dentro de mim. No começo eu tentei te evitar, tentei resistir a você, tentei continuar me mantendo distante, contive tudo que eu sabia que existia dentro de mim. Eu não queria, não podia querer. Eu conheço esse seu jeito. Sei dos seus sinais, dos seus truques para me manter por perto. E tinha convicção que uma vez que eu cedesse você se sentiria o dono da situação.

Cedi. Caí. Estou caída. Completamente caída.

Eu quis tanto fazer dar certo, quis tanto ser tua felicidade, devolver cor a sua vida. Acreditei que você também quisesse, mas tenho me sentido tão só. Tenho sentido tanto sua falta.  Quem sabe uma hora você acorda e repara em mim. Repara que eu ainda estou aqui. Eu preciso pelo menos tentar.

Como é ruim esperar o que não se espera.

 

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Hoje eu tenho muitas coisas pra compartilhar com vocês!!! é que não fui bem na prova de Literatura Portuguesa. E eu achando que tinha conseguido enrrolar… pois é, não consegui. Porém tirei 9.5 em Lit. Brasileira e 8.4 em Língua Portuguesa. A segunda coisa é que meu feriado foi deveras proveitoso. Revi amigas que não via há séculos e ainda fui à um show dos Paralamas. Achei que seria chatinho, mas foi nota 10! O 3° e último ‘causo’ é que amanhã tem festa e bombará!
To feliz e não canso!
Beijos;*

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Caio Fernando Abreu in O Inventário do Ir-remediável .

“Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê

Fico acordado noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê

Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você”


Os Paralamas do Sucesso – Seguindo Estrelas

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um. E aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

– Você está morando por aqui?

– Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho – enlatados, bolachas, muitas garrafas -, tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que lhe dissera. E ela o chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

– E você? – perguntou ela, ainda sorrindo.

Continuava bonita.

– Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

– Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia? Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava.

– Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

– Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

– Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para a casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal ele ainda era moço… deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

– Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa – disse ele.

– Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

– Você sempre gostou de festas.

– E você, não.

– A gente muda, né? Muda de hábitos…

– Tou vendo.

– Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

– Que Deus me livre.

 Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: esses dois, se um morrer o outro se suieida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de malentendido com eles. Eles seamavam, mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não se ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele Ihe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada. Que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou ao apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir.

Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir.

Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

– Luíz F. Veríssimo

 

É por você me dar tanta certeza que eu fico indecisa
Não sei se é verdade ou mentira
E se eu tento te esquecer você parece fazer questão de se fazer lembrar
Somos tão diferentes e por isso mesmo tão iguais
Compartilhamos palavras e silêncios
Mas tua segurança me deixa insegura
Teu carinho me faz carente
Tua voz me faz rouca
Eu que prefiro preto no branco
Que queria tudo agora e não podia esperar pelo depois
Eu gostava tanto de mim
e ando gostando mais de você
 
– Poetriz

Se sim, o medo.
Se não, decepção.
Mas é da dúvida,
a ilusão e a solidão…

– Poetriz