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Archive for the ‘Meu’ Category

Querido Caio,

Decidi liberta-lo. Decidi esquece-lo. Amar é isso, não é? Abrir mão de si mesmo em função da felicidade do outro. E no fundo não ia dar certo mesmo. Justificativa e negação são sintomas do fim de qualquer coisa. Tinha que terminar um dia, não tinha? Então foi uma boa hora, porque ainda o amo. E é tão triste terminar quando já não se tem nem mais respeito pelo outro, a gente fica acabado, aquele sentimento de frustração, de que perdeu um tempão da vida. Mas viveu, ao menos. Justificativa e afirmação são sintomas de quem está no caminho de superar toda a história. Afinal, não havia planos pro futuro. A história toda não tinha futuro. E o futuro, uma hora tinha que começar. Sem ele, obviamente. Mas então eu pergunto, se só existem razões boas, se o amor é pra nos elevar, por que dói tanto?

Lágrimas, F.

 – Poetriz

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“Hoje, eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei por que razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou”

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Eu iria à China por você. Então porque diabos você não dobra essa única esquina que separa nossas vidas e vem me ver? Estou cansada dos nossos mundos separados. Eu bem aqui, você bem aí e uma cordilheira inteira entre nós dois. A gente tá o tempo todo tão perto, mas pra cada metro de distância tem 100 quilômetros de motivos pra permanecermos afastados

(…)

Eu cansei de ficar em casa abafando o choro no travesseiro e também cansei de ir pra balada na tentativa de conhecer um cara que deixe de ser só um cara, mas nunca deixa porque nenhum nem sequer imita você. Eu cansei dessa paz que cheira a covardia, quero mesmo é ir à guerra por você. Nada de entregar e sair de mãos vazias, eu te dei meu ombro, meu colo, meu carinho, minha paciência e tou disposta a dar meu sangue e suor se for preciso. Eu vou ferir mais uma vez o meu orgulho e rezar pra que você faça o mesmo, porque eu tou me lixando pro meu ego. Orgulho nenhum dá beijo na boca, faz amor ou te cobre no frio. Eu não quero mais essa sensatez que me obriga a te cumprimentar com um bom dia quando eu tou morrendo de vontade de sentir a tua barba mal feita roçando no meu rosto em cima de uma cama qualquer. Eu não quero procurar novas opções, quando eu fechei a porta pra você eu abri todas as janelas, mas nenhum sol brilhou tanto quanto o seu olhar pousando no meu corpo e eu entendi que não importa quantas opções eu tenha ou quantas janelas eu abra, por nenhuma delas vai aparecer o teu cheiro, a tua voz, o teu toque. Eu não quero aceitar que aquele foi o último abraço, quero que me coloque entre os braços e me aperte, quero que jamais afrouxe, não permita mais que eu escape de você como a areia da praia escapa dos dedos. Eu não tou pedindo, tou implorando pra você cruzar a droga dessa esquina, porque eu estou a um passo de bater na sua porta e eu não quero fazer desse meu desespero um outro fim para nós, eu quero um recomeço, não vai ser a minha procura, nem a sua procura, nem a nossa procura…vai ser o nosso encontro, ou reencontro.

– Amanda Teles

  

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Leitores, quero mais uma vez agradecer a todos vocês pelo carinho. O blog tem recebido MUITAS visitas diariamente e eu nunca, nem nos meus sonhos mais otimistas imaginei isso, parece até “uma mentira” como diria meu grande amigo Xande. rs
Esse blog nasceu sem nenhum intuito de fazer sucesso, eu o criei apenas pra passar o tempo e principalmente pra servir como um arquivo dos meus textos prediletos. E é muito gostoso saber que a maioria dos meus textos prediletos também são os prediletos de vocês!
Dia 21 de Julho o blog recebeu 477 visitas!!! E hoje já recebemos 206 visitas, e olha que ainda é 11:36h! Sei que perto de blogs realmente famosos isso não é nada, mas eu to me sentido! haha
Emfim, desculpa a chatice de vir aqui agradecer toda a hora à vocês, mas é porque realmente fico muito feliz com isso!
Um beijo no coração de todos que gostam do /beforeesunsett!
Que Deus abençoe cada um de vocês!
Nathy.

O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama também. Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos. Não basta nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser. Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito. Não importa que eu esqueça meu nome depois, nem que me perca num oco, ou que os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não basta que haja amor para se viver um amor. Eu e ele somos as cruzadas da idade média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo, o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo plutão que ele habita, e ele vive intrigado por minha vênus, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. Discordamos sobre o tempo, o tamanho das ondas, a cor da cadeira. O desacerto é de lascar, e não há cama que resista a tantas reconciliações – um dia a cama cai.

Esta semana fui ver a Ópera do Malandro em cartaz no Rio de Janeiro. Se o Chico Buarque nunca mais tivesse feito outra coisa na vida, ainda assim teria de ser imortalizado pelas alturas em que transita sua poesia nesta obra. Como ando as voltas com assuntos de amor, prestei atenção na cafetina Vitória que, do alto de sua experiência, ensinava: O amor jamais foi um sonho, o amor, eu bem sei, já provei, é um veneno medonho. É por isso que se há de entender que o amor não é ócio, e compreender que o amor não é um vício, o amor é sacrifício, o amor é sacerdócio.

Mais adiante Terezinha, a heroína quase ingênua, sofria:

Oh pedaço de mim, oh metade arrancada de mim, leva o vulto teu, que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu. Leva o que há de ti, que a saudade dói latejada, é assim como uma fisgada no membro que já perdi.

Naquela noite, inspirada pelo Chico, voltei pra casa decidida – não quero mais o amor da minha vida ocupando o lugar de amor da minha vida. Venho portanto, pedir a ele publicamente, que libere a vaga. É com você mesmo que estou falando, você aí, que se instalou feito um posseiro dentro do meu coração, faça o favor de desinstalar-se. Xô. Há de haver um homem bom, me esperando em alguma esquina desse mundo. Um homem que aprecie o meu carinho, goste do meu jeito, fale a minha língua, e queira cuidar de mim. As qualidades podem até variar, mas aos interessados, se houver, vou avisando; existem defeitos que considero indispensáveis.

Meu amor tem de ter uns certos ciúmes, e reclamar quando eu precisar viajar pra longe. Pode se meter com minha roupa, com corte do cabelo, e achar que sou distraída e não sei dirigir. Quando ficar surpreso de eu ter chegado até aqui sem ele, afirmarei sem ironia, que foi mesmo por milagre. Este homem deve querer nosso lar impecável, com flores no jarro, e é imperativo que faça tromba quando não estiver assim. Ele irá me buscar no trabalho e levará direto pra casa, nada de madrugadas na rua! Desejo enfim que meu amor me reprima um pouco, e que me tolha as liberdades – esse vôo alucinante e sem rumo, anda me dando um cansaço danado.

– Maitê Proença

“Tenho fases, como a Lua. Fases de ser sozinha, fases de ser só sua.”

– Cecília Meireles

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

– José Saramago

 

Se foi e foi brilhante!

Hoje me vejo procurando um novo caminho e sei que será longa a estrada. Até encontrar quem perceba que a minha urgência nada mais é do que a urgência de ter calma. Até encontrar quem realmente me veja.

– Cristina Guerra

Mas não vou ceder. Foi a última paixão. Paixão é o que dá sentido à vida. E foi a última. Tenho certeza absoluta disso. Agora me tornarei uma pessoa daquelas que se cuidam para não se envolver. Já tenho um passado, tenho tanta história. Meu coração está ardido de meias-solas. Sei um pouco das coisas? Acho que sim. Tive tanta taquicardia hoje. Estou por aí, agora. Penso nele, sim, penso nele. Mas não vou ceder. Certo, certo: ninguém tem obrigação de satisfazer ao teu desejo, pela simples razão de que você supõe que teu desejo seja absoluto. Foda-se seu desejo, ora. Me dói não ter podido mostrar minha face. Me dói ter passado tanto tempo atento a ele — quando ele nunca ficou atento a mim. E eu passei tanta coisa dura. Rita Lee canta “são coisas da vida…”

– Caio Fernando Abreu