Just in Time

Archive for the ‘Biani’ Category

Tudo que eu digo você já sabe, meus gritos estridentes que ecoam no seu ouvido, juras e declarações repetidas. Tudo você conhece. Quero apenas que você leia, que você me leia sem caneta, sem papel, leia meu corpo, que fala monossilabicamente: amo!
Muito orgulhosa de mim, me parece que voltei a ser eu, aquela que eu amava, você me faz feliz, me faz sonhar, me faz mulher, me faz louca… rindo pras paredes (elas também sorriem pra mim)!
Me leia. Enquanto isso te procuro, sinto seu cheiro, te farejo e tento te tocar com minhas mãos, meio de olhos fechados, te procuro nas paredes e deixo minhas digitais em todos os rebocos, te espio por entre buracos de tijolo, beijo o vento e sinto sua língua, e nos meus segundos de cochilo posso sentir sua mão me acariciando no meio da noite!
Eu te amo muito mais do que você possa imaginar com essa sua cabeça 10% capaz.
Eu te amo bem mais do que o amor permite, te amo muito além dos limites.
Te amo infinitamente mais do estava nos meus planos.
Eu te amo mais do que a minha carne vermelha e crua que pinga sangue.
Te amo mais do que Narsciso a seu reflexo.
Eu te amo mais do que uma cigana conseguiria prever em suas cartas de tarô.
Eu te amo mais do que a necessidade de xilocaína em meio a fortes agulhadas.
Eu te amo mais do que amo chorar deitada, onde a lágrima escorre estranha, procuro-a com a língua e sinto o gosto salgado que me lembra o sabor do seu apetitoso suor.
Eu te amo mais do que o prazer que sinto com você dentro de mim.
Te amo mais do que o que vejo no espelho.
Te amo aqui. Te amo agora.
Te amo em uma cadeira de rodas, com 80 anos, pós AVC, lado esquerdo paralisado e mijando em pinico.
Eu te amo mais do que um animal selvagem ama sua fêmea marcada.
Te amo infinitamente menos do que vou te amar quando pontuar essa frase.

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Eles não se empenham apenas em fazer o outro feliz, com atitudes piegas ou palavras carregadas com aquela leve brisa que alivia e depois abafa. Eles cumprem a tarefa, ainda mais difícil, de serem felizes um com o outro.
Esqueceram os relógios, não se baseiam por aquele calendário gregoriano, substituem Celsius por Farenheinte, criam seus próprios verbos e os conjugam ora perfeitos, ora imperfeitos. Não há expectativas que possam causar uma futura frustração.
E enquanto ele pisca para ela, ela acena para ele, outra piscada e ela mexe no cabelo, numa sincronia perfeita, movimentos que se completam, frases inaudíveis e sintomas de que dali em diante só tomarão café na mesma xícara. Com muito açúcar…