Just in Time

Archive for agosto 2008

Ontem fiz umas 12 séries de 10 barras, ou algo assim, enquanto você dormia.
Não preguei o olho.
Então, fiz as 12 séries de barras. Alternadas com o teclado e a tela do computador. Hoje, meu corpo dói. Ao menos, ao amanhecer, dormi.
Acontece que, como sempre, isso de amar nos coloca em enrascadas. Situações em que precisamos abrir mão de coisas. Ou fazer quem amamos abrir mão de coisas.
A segunda opção certamente é também abrir mão: pois desistimos de estar ao lado de alguém no pleno exercício de sua liberdade. E restringir a liberdade de alguém é sempre optar por menos. Para si e para o outro, apostar nas grades e não no espaço que há entre elas.
O caminho até essa liberdade é marcado pelos pedaços que deixamos ao longo dele. Talvez esses fragmentos não sejam importantes de verdade, mas sempre dói no momento em que os perdemos. Os apêndices se desconectam na busca de um corpo essencial.
Nem sempre o certo é o mais fácil. Quase nunca é. Se fosse, não haveria tantas pessoas agindo errado no exato instante quando têm a oportunidade de agir certo. O errado é aceitável. Somos humanos, somos do mundo.
Mas quero tentar fazer o contrário do que o mundo faria. Esse medo que sinto agora – embora eu esteja repleto das certezas que só o seu olhar me dá – é o medo do mergulhador que salta da pedra, calculando o segundo quando a maré trará maior profundidade para seu mergulho. Ele pode errar, mas ainda assim, salta.
Foda-se o medo.
O que vem depois do encontro com a água é um mistério a que ele se entrega.
Esse receio, que me manteve acordado esta noite, é aquilo que terei de enfrentar. Por isso, talvez, tenha feito tantas barras, erguido meu corpo tantas vezes contra a força da gravidade. Exercícios não fazem muito sentido mesmo. Mas sou forte. E a dor que sinto em meu corpo, agora, e o sono a que cheguei e o despertar, com o seu corpo ao alcance do toque de minha mão, atestam isso.

Sei de cór cada lugar teu
Atado em mim, a cada lugar meu
Tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
Tento esquecer a mágoa
Guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
Sem ter defesas que me façam falhar
Nesse lugar mais dentro
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
Como se arrancassem tudo o que já foi
E até o que virá e até o que eu sonhei
Diz-me que vais guardar e abraçar
Tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve pra longe de nós
E que um dia o tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só

Eu vou guardar cada lugar teu
Ancorado em cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que eu vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar.

– Mafalda Veiga

‘Eu gosto de você. Eu fico assustado cada vez que eu vou te encontrar. Quando eu me aproximo, eu não sei o que fazer com as mãos, com os olhos. Eu não sei o que fazer. Como proceder. Você por perto é como se um prédio estivesse pegando fogo e eu estivesse solto pelos corredores. Eu admiro a sua inteligência. Compreendo ou pelo menos, tento compreender o teu ponto-de-vista. Para que eu não o desrespeite. Para que eu não avance sobre ele com as minhas idéias velhas sobre o mundo. Eu acho você atraente. E morro de medo que todo mundo descubra isso porque se eu já não tenho chance agora, imagine quando a população carioca te descobrir? Adoro o teu humor. A rapidez do teu raciocínio. Adoro a simplicidade do layout do seu blog. O som da sua voz que já vem junto com um sorriso. Adoro a amiga que é tão sua e que você já me entregou de presente. Gosto do carinho e da forma atenciosa como nos encaramos. E dos silêncios que no ínício incomodavam e hoje em dia, descortinam.’

– Egídio La Pasta

If I could have just one wish,
I would wish to wake up everyday
to the sound of your breath on my neck,
the warmth of your lips on my cheek,
the touch of your fingers on my skin,
and the feel of your heart beating with mine…
Knowing that I could never find that feeling
with anyone other than you.

– Courtney Kuchta

“Visão do espaço estamos tão distantes
Se acelero os passos sigo a voz do meu coração.
Ontem eu fui dormir mais tarde um pouco.
E tudo vai indo bem…

Venço o cansaço e medo do futuro.
No teu abraço é que encontro a cura do mal
Hoje eu acordei te quis por perto.

E você não sai do meu pensamento
E eu me questiono aqui se isso é normal.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.

Entre o retorno de saturno e o seu,
Busco uma resposta que acalme o meu coração
Do amanhã não sei o que posso esperar.

E você não sai do meu pensamento
E eu me questiono aqui se isso é normal.
Você não sai do meu pensamento
E eu me pergunto aqui, se o natural

Vai dizer que o amor chegou no final.

Não precisa ser de novo assim tudo igual”

Conheço milhares de homens que seriam capazes de dar o mundo por uma garota. Mas que seriam incapazes de lhe dar uma flor. Às vezes, tudo o que uma mulher quer é isso. Uma flor, singela e complexa.
Por isso, tudo o que quero lhe dar hoje são rosas.
Mas não só isso. Quero dar rosas a você nos momentos mais inconvenientes. Quero que elas lhe cheguem quando estiver no ponto de ônibus carregada de pacotes, para que decida entre o mundo prático das compras parceladas e o mundo abstrato e incerto de um buquê. Que elas sejam entregues quando estiver a dar aulas e o moço as ofereça fazendo uma mesura diante dos alunos. E você não saiba o que dizer a tais salamaleques. Quando estiver com uma amiga, a conversar sobre como o tempo passa rápido hoje em dia. E também quando, depois de ter recebido essa braçada e estiver se despedindo dela, receba outra. No banho, você ouvirá a campainha tocar e atenderá com espuma na orelha esquerda. Mais rosas. No almoço, em um restaurante, chegarão as flores no momento de pagar a conta. De madrugada, alguém baterá à porta e deixará o presente como se faz a um órfão de filme antigo. Na sala de espera de algum dentista, rosando sua espera e a sua face. E os outros pacientes ficarão sem saber se olham ou ficam apenas com dor de dente. Na estrada, no mato, na fazenda, no táxi, na chuva, no sol, quando estiver nua, quando estiver vestida, quando estiver feliz, quando estiver triste, quando estiver apenas muito pensativa, quando estiver calada, pois está com sono, quando estiver correndo, andando, empinando pipa, jogando basquete, cozinhando, passeando, esperando e partindo, lavando e secando.
Até em sonhos quero que estas minhas rosas lhe cheguem e que elas permaneçam quando acordar, enchendo-lhe o quarto de pétalas dorminhocas.
A cada piscar de olhos, uma rosa.
A cada passo, outra.
A cada dia, uma nova.
E de matizes de vermelho mais vermelhos e mais nobres e belos que se poderia esperar daquilo que é real e todo mundo pensa que não é. São dias de tempestade. Porém posso assistir às ondas, elas são belas e não mais assustadoras. É que estou apaixonado, mas você me ensinou a andar sobre as águas. Ninguém me vê e não preciso mais salvar o mundo.
Por isso lhe dou estas rosas.
Você me deu coisas sem oferecer e sem que eu pedisse. É como chegar à vida.
Aqui estamos nós. De surpresa. Inconvenientemente felizes.

“… saudade não é ex, tampouco amor. Mas a vida da qual abrimos mão por um sonho (ou por um erro) é passado. E de escolhas e de perdas é feita a nossa história. Não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência: eu escolhi que aquele fosse o último abraço.
Agora é outra que se perde em ombros tão largos, tomara que ela não se perca tanto ao ponto de um dia não enxergar o quanto aquele abraço é o lado bom da vida.
Da vida que te desemprega mesmo depois de tantas noites em claro e de tantos beirutes indigestos. Da vida que te abre uma porta que você jura ser a certa mas quando resolve entrar descobre duas crianças brincando na sala e uma mulher esperando no quarto.
Da vida que te confunde tanto que você quer se afastar de tudo para entendê-la de fora. Da vida que te humilha tanto que você quer se ajoelhar numa igreja. Da vida que te emociona tanto que você não quer pensar. Da vida que te engana.
Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê- lo.
Se fosse uma comédia-romântica-americana, a gente se encontraria daqui a um tempo e eu diria a ele, que mesmo depois de ter conhecido homens que não gritavam quando eu acendia a luz do quarto, não amavam os amigos acima de, não espirravam de uma maneira a deixar um fio de meleca pendurado no nariz, não usavam cueca rosa, não cantavam tão mal e tampouco cismavam de imitar o Led Zeppelin, não tinham a mania de aumentar o rádio quando eu estava falando, não ligavam se eu confundisse italiano com
espanhol e argentino, nomes de capitais, movimentos artísticos, datas de revoluções e nomes de queijo, era ele que eu amava, era ele que eu queria.
E ele me diria que, mesmo depois de ter conhecido mulheres que conheciam a Europa e não entupiam o ralo com cabelos, mulheres que tinham nascido em bairros nobres e charmosos de São Paulo, ou melhor, do Rio de Janeiro, mulheres que arrumavam a cama e não demoravam tanto para sentir prazer, não entravam de sapato no carpete, não tinham medo de cachorros pequenos, não reclamavam do ar-condicionado e nem tinham medo de perder a mãe ou comer uma comida muito temperada, era eu que ele amava, era eu que ele queria…”

– T. Bernardi