Just in Time

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 84.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 4 dias para todas essas pessoas o visitarem.

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…o destino age como se fosse acaso
quando no nosso caso já estava escrito…

– Cah Morandi

E, depois que ouvi essa frase, todas as únicas certezas que eu tinha na vida foram pro ralo. Escorreram pelo meu rosto lavando o resto de alma que eu ainda tinha nele. Logo eu, que nunca tive sequer uma certeza na vida, preciso dar garantias pra alguém de algo que eu não faço a mínima idéia. Eu digo que amo, mas talvez eu não saiba o que é amor. Eu ouço juras de amor de gente que confunde os sentimentos. E me confunde.

Dizem que, quando a gente ama alguém, deve deixar livre. Então, realmente não sei amar. Não consigo dizer que amo e ficar longe. Não consigo gostar e não ter notícia. Não me dou bem com a distância. Não entendo relacionamentos abertos. Não admito traição. Não entendo quem gosta e não quer ficar junto. Não entendo quem diz que ama e não sabe se quer. Não entendo alguém que quer certezas sem apostar no relacionamento.

O dia que eu coloquei meu passarinho no dedo, levei ele pra rua e ele não quis ir embora, mesmo podendo voar, eu entendi o que é liberdade. É querer estar junto mesmo com milhares de outras possibilidades lá fora. É poder ir e querer ficar. É ter a chance de escolher. Liberdade é ter milhões de caras na sua cidade pelos quais você poderia se interessar mas você se enfia num aeroporto lotado pra atravessar o estado e ficar com quem você quer. Liberdade é poder falar que ama. Liberdade é poder falar do que não gosta. É saber conviver com a diferença e respeitar isso. É entender que ninguém é exatamente do jeito que você imaginou que fosse. É estar junto e fazer planos. É estar junto sem saber o que vai acontecer amanhã. É querer continuar mesmo que os planos dêem todos errados. Mesmo que você não tenha nenhuma certeza.

Vou seguir o que dizem e deixar livre. Vou seguir. Livre. Fazendo planos pra minha própria vida. Ou não. Vou simplesmente deixar que as coisas sigam seu curso natural. Livre. Que a vida continue. Que as incertezas passem. Que a paz reine. Que o amor renasça. Que possamos fazer escolhas certas e escolhas erradas. Que a tal liberdade sirva pra isso. Pra nos permitir viver errando, acertando, amando, descobrindo.

Eu nunca quero ter certeza de tudo na vida. Acho que amar é isso. Saber dar sem garantias. Sem exigir nada em troca. Arriscar, acreditando que vai dar certo. Sem olhar pra trás e se arrepender porque deu errado ou porque não era bem assim que você planejou. Acho que amar é a incondicionalidade. Não impor condições. Não ter prazo de validade. Não sei nada sobre amar, mas desconfio que não tem nada a ver com certezas.

Para você que é única no mundo

Única razao

Para chegar bem ao fundo

De cada respiro meu

Quando te vejo

Depois de um dia cheio de palavras

Sem que você me diga nada

Tudo se faz claro

(…)

Para você que é

Simplesmente é

Essencia dos meus dias

Essencia dos meus sonhos

Para você que é o meu grande amor

E o meu amor grande

Para você que pegou a minha vida

E a fez muito melhor

(…)

Para você que me ensinou a sonhar

E a arte da aventura

Para você que acredita na coragem

E também no medo

Para você que é a melhor coisa

Que me aconteceu

Para você que muda todos os dias

E  se mantem sempre a mesma

 Para você que é

Simplesmente é

 A Te – Jovanotti

quando você passa
nem parece que passa levando todo ar
e todo sentido no que ando sentindo
quando brinco de me apaixonar
e de tanto brincar
e de tanto você passar
quem diria que no andar, você ficaria
e ficar não como quem visita,
mas ficar como quem mora,
quem habita até se enraizar

– Cáh Morandi

O que eu mais queria neste mundo era sossegar. Eis um verbo que é preciso redimir. Sossegar não é descansar, nem traz felicidade, nem se assemelha, senão superficialmente, à paz ou à tranquilidade. Não quero acalmar-me, ou serenar, ou assentar. O sossego é um estado de bonança. Pode sossegar-se em momentos de grande agitação, de um acesso de amor, em que esse amor parece lucidez. É este o sossego com que sonho — uma presença consciente de verdade no que se sente.

 

Quando dois que se amam decidem ter um filho, por muito medo que isso possa provocar, sossega-se. Quando aparece um amigo sem avisar, interrompendo tudo o que se tencionava fazer, sossega-se. Quando se lê um poema ou uma história bonita, por muito triste que seja, sossega-se. Quando se acredita em Deus. Isso, sim, é sossegar.

 

Gosto de sossegar como verbo transitivo. Sossegar só por si não chega. É mais bonito sossegar alguém. Quando se pede “Sossega o meu coração”, e se consegue sossegar.

 

Lembro-me, em particular, dum momento, que obviamente não vou contar, mas que consistiu apenas em olhar para alguém e sentir que tudo nela me era querido e conhecido e familiar.

 

Não há no mundo paisagem como o rosto da pessoa amada, sobretudo quando está agitado, rindo ou zangado. Sentir essa mistura de perdição e de proximidade é verdadeiramente sossegar.

 

– Miguel Esteves Cardoso

“Não há ruptura sem dor. A única coisa digna a se fazer é atravessar. Não é hora para palavras, mas como me pedem, vá lá… A contradição também tem sua beleza. Sobretudo não reclame, o nhennhenhem faz a gente andar em círculos em torno daquilo de que se abriu mão. Se não está resolvido, volte, peça perdão, curve-se, e siga ali até ter certeza de que a coisa não serve mais. Feito isso, largue, deixe em paz, vire a cabeça e perceba que o horizonte está cheio de possibilidades. Procure o amor dos amigos e não dos amantes, só ele esquenta nesta hora. Se for um solitário, invente alguma coisa, crie, componha uma música, pinte um quadro, pinte a parede de casa, mude os móveis de lugar, mexa na rotina, vá ao teatro, corra ao ar livre, nade no mar, cozinhe um prato picante, tome um bom vinho, trace metas, siga-as. Se não for um solitário faça o mesmo cercado de gente. Depois volte pra casa vazia e tenha coragem, já está passando.”

– Maitê Proença