Just in Time

Inconvenientes rosas

Posted on: agosto 19, 2008

Conheço milhares de homens que seriam capazes de dar o mundo por uma garota. Mas que seriam incapazes de lhe dar uma flor. Às vezes, tudo o que uma mulher quer é isso. Uma flor, singela e complexa.
Por isso, tudo o que quero lhe dar hoje são rosas.
Mas não só isso. Quero dar rosas a você nos momentos mais inconvenientes. Quero que elas lhe cheguem quando estiver no ponto de ônibus carregada de pacotes, para que decida entre o mundo prático das compras parceladas e o mundo abstrato e incerto de um buquê. Que elas sejam entregues quando estiver a dar aulas e o moço as ofereça fazendo uma mesura diante dos alunos. E você não saiba o que dizer a tais salamaleques. Quando estiver com uma amiga, a conversar sobre como o tempo passa rápido hoje em dia. E também quando, depois de ter recebido essa braçada e estiver se despedindo dela, receba outra. No banho, você ouvirá a campainha tocar e atenderá com espuma na orelha esquerda. Mais rosas. No almoço, em um restaurante, chegarão as flores no momento de pagar a conta. De madrugada, alguém baterá à porta e deixará o presente como se faz a um órfão de filme antigo. Na sala de espera de algum dentista, rosando sua espera e a sua face. E os outros pacientes ficarão sem saber se olham ou ficam apenas com dor de dente. Na estrada, no mato, na fazenda, no táxi, na chuva, no sol, quando estiver nua, quando estiver vestida, quando estiver feliz, quando estiver triste, quando estiver apenas muito pensativa, quando estiver calada, pois está com sono, quando estiver correndo, andando, empinando pipa, jogando basquete, cozinhando, passeando, esperando e partindo, lavando e secando.
Até em sonhos quero que estas minhas rosas lhe cheguem e que elas permaneçam quando acordar, enchendo-lhe o quarto de pétalas dorminhocas.
A cada piscar de olhos, uma rosa.
A cada passo, outra.
A cada dia, uma nova.
E de matizes de vermelho mais vermelhos e mais nobres e belos que se poderia esperar daquilo que é real e todo mundo pensa que não é. São dias de tempestade. Porém posso assistir às ondas, elas são belas e não mais assustadoras. É que estou apaixonado, mas você me ensinou a andar sobre as águas. Ninguém me vê e não preciso mais salvar o mundo.
Por isso lhe dou estas rosas.
Você me deu coisas sem oferecer e sem que eu pedisse. É como chegar à vida.
Aqui estamos nós. De surpresa. Inconvenientemente felizes.

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