É por você me dar tanta certeza que eu fico indecisa
Não sei se é verdade ou mentira
E se eu tento te esquecer você parece fazer questão de se fazer lembrar
Somos tão diferentes e por isso mesmo tão iguais
Compartilhamos palavras e silêncios
Mas tua segurança me deixa insegura
Teu carinho me faz carente
Tua voz me faz rouca
Eu que prefiro preto no branco
Que queria tudo agora e não podia esperar pelo depois
Eu gostava tanto de mim
e ando gostando mais de você…
- Poetriz
Escolhas
É tudo sobre escolhas.
Eu escolhi você. Escolhi arriscar por que me sinto bem ao seu lado e mesmo fingindo que não, você nunca deixou de fazer algum tipo de barulho dentro de mim. No começo eu tentei te evitar, tentei resistir a você, tentei continuar me mantendo distante, contive tudo que eu sabia que existia dentro de mim. Eu não queria, não podia querer. Eu conheço esse seu jeito. Sei dos seus sinais, dos seus truques para me manter por perto. E tinha convicção que uma vez que eu cedesse você se sentiria o dono da situação.
Cedi. Caí. Estou caída. Completamente caída.
Eu quis tanto fazer dar certo, quis tanto ser tua felicidade, devolver cor a sua vida. Acreditei que você também quisesse, mas tenho me sentido tão só. Tenho sentido tanto sua falta. Quem sabe uma hora você acorda e repara em mim. Repara que eu ainda estou aqui. Eu preciso pelo menos tentar.
Como é ruim esperar o que não se espera.
Hoje eu tirei o dia para ser feliz!
Hoje eu tenho muitas coisas pra compartilhar com vocês!!! é que não fui bem na prova de Literatura Portuguesa. E eu achando que tinha conseguido enrrolar… pois é, não consegui. Porém tirei 9.5 em Lit. Brasileira e 8.4 em Língua Portuguesa. A segunda coisa é que meu feriado foi deveras proveitoso. Revi amigas que não via há séculos e ainda fui à um show dos Paralamas. Achei que seria chatinho, mas foi nota 10! O 3° e último ‘causo’ é que amanhã tem festa e bombará!
To feliz e não canso!
Beijos;*
Teria sido diferente?
Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Caio Fernando Abreu in O Inventário do Ir-remediável .
Já não consigo não pensar em você
Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê
Fico acordado noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê
Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você
Os Paralamas do Sucesso – Seguindo Estrelas
A melhor música do show, in my opinion.. rs
O Encontro
Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um. E aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.
- Você está morando por aqui?
- Na casa do papai.
Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho – enlatados, bolachas, muitas garrafas -, tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que lhe dissera. E ela o chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.
- E você? – perguntou ela, ainda sorrindo.
Continuava bonita.
- Tenho um apartamento aqui perto.
Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?
- Você sempre faz compras de madrugada?
Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia? Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava.
- Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.
- Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.
- Gozado.
Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para a casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal ele ainda era moço… deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.
- Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa – disse ele.
- Lá em casa também é uma festa atrás da outra.
- Você sempre gostou de festas.
- E você, não.
- A gente muda, né? Muda de hábitos…
- Tou vendo.
- Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.
Ela, ainda sorrindo:
- Que Deus me livre.
Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: esses dois, se um morrer o outro se suieida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de malentendido com eles. Eles seamavam, mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não se ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele Ihe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada. Que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou ao apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir.
Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir.
Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.
- Luíz F. Veríssimo
Contrário
Dúvida
Se sim, o medo.
Se não, decepção.
Mas é da dúvida,
a ilusão e a solidão…
- Poetriz
Minha vida por inteiro eu lhe dou
“Meu ar de dominador
Dizia que eu ia ser seu dono
E nessa eu dancei!
Hoje no universo
Nada que brilha cega mais que seu nome
Fiquei mudo ao lhe conhecer
O que vi foi demais, vazou
Por toda selva do meu ser
Nada ficou intacto
Na fronteira de um oásis
Meu coração em paz se abalou
É surpresa demais que trazes
Ainda bem que eu sou Flamengo
Mesmo quando ele não vai bem algo me diz em rubro-negro
Que o sofrimento leva além
Não existe amor sem medo
Boa noite!
Quem não tem pra quem se dar, o dia é igual à noite
Tempo parado no ar, há dias, calor, insônia, oh! noite
Quem ama vive a sonhar de dia
Voar é do homem
Vida foi feita pra estar em dia com a fome, com a fome, com a fome
Se vem lá das alturas com agruras ou paz
Oh, meu bem, serei seu guia na terra
Na guerra ou no sossego sua beleza é o cais
Você é meu homem
Que pode me dar, além de calor, fidelidade
Minha vida por inteiro eu lhe dou
Minha vida por inteiro eu lhe dou”
Boa Noite – Djavan
Casos do acaso
De desventuras em desventuras, a vida parece seguir a lógica do acaso. Nada sai como o esperado, cada dia uma nova surpresa.. O que fazer? Seguir o acaso lógico da vida e fazer das desventuras aquilo que realmente vale a pena ser vivido. E eu não vou me preocupar com niguém, vou viver meus dias como se fossem os últimos!
Quase sem querer
Não que tenha sido assim…
Foi quase sem querer, e foi acontecendo sem propósito, sem certeza e nem dúvidas porque não houve tempo delas aparecerem. Foi sem pensar, tão inesperado que o esperado não teve tempo de se formar. Quando deitei na cama aquele dia, foi sem propósito que meus braços se depositaram sobre o seu corpo, foi quase sem querer, sem certeza e nem dúvidas, porque não houve tempo delas aparecerem. E brotou nesse sem querer o desejo do gosto de um beijo que aconteceu, mas não foi querendo, foi assustado e com medo, sem certeza e sem depois.
Confuso? Vamos descomplicar então.
Fazem um tempo que nos conhecemos e fui durante esse tempo que sua mão encontrou a minha na madrugada quente, que meu corpo conheceu o seu e que um monte de porquê(s) apareceu em nossas mentes. Enquanto você lutava para entender o acontecido eu planejava o que poderia acontecer. O que eu posso lhe adiantar é bem mais do que os outros podem notar, ou entender. Na verdade eu acredito que você ainda virará sapo! Mas o sapo até então não apareceu. Sou cautelosa e sei bem que você é indeciso, que seus passos são curtinhos e que tem medo de se machucar, por isso usa essa máscara de desencanado. O que agente tem agora é gostoso e descomplicado, e existem momentos em que parecemos dois amigos se divertindo um com o outro, brincando de beijar na boca. Mas em breve, muito em breve o que cresce com essa brincadeira vai amadurecer, vai nos causar ciúmes e vai doer, e da brincadeira gostosa de amigos, vamos pular para o gostoso e complicado, do amar e ser amado e aí, é aí que tudo começa realmente a complicar.
Não sou tão segura como me faço ser e você não é tão desencanado como tenta parecer. Agente ta brincando com o tempo e logo logo ele vai cobrar e quando essa hora chegar, agente vai parar de brincar e faremos amor, cheio de peso, com todas as certezas e dúvidas que ainda não apareceram e selaremos esse momento com um beijo, cheio de gostos e com muita certeza e duradouro, como todo beijo há de ser…